
Essa tarde, assisti um triste espetáculo televisionado pela toda poderosa Rede Globo de Televisão e narrado sofrivelmente merecidamente pelo locutor anti conrinthiano Cleber Machado. O evento leva o título de Corrida de São Silvestre. Entretanto, da tradicional Corrida de São Silvestre, sobrou só o nome. Se não me engano.
A Corrida de São Silvestre era um acontecimento pra lá de esportivo, era cheia de charme e um luxo só. Acontecia no final de todo dia 31 de dezembro, iniciando certa de vinte minutos antes da meia-noite e só acabando no início do primeiro dia do ano seguinte, com os corredores desfilando pelas ruas de nossa São Paulo da garoa. Não havia, no mundo, nada parecido, muito menos com a importância e relevância de nossa inesquecível Corrida de São Silvestre.
A festa de fim e inicio de ano acontecia sob as luzes da corrida. Enquanto nos abraçávamos comemorando a chegada do novo ano e o Adeus ano velho, a corrida ia chegando ao seu final. Então brindávamos o novo ano, enquanto os campeões recebiam os louros e os prêmios pela vitória. Ganhavam todos, corredores, campeões ou participantes, organizadores, público presente, telespectadores, etc.
Naquele tempo só a TV Gazeta, uma das organizadoras o evento, transmitia. Emissora pobre e desprovida, tinha na São Silvestre seu maior acontecimento e consequente oportunidade de faturar algum para o ano. Mas veio a Rede Globo e ofereceu uma parceria, típica do Lobo para a Chapeuzinho Vermelho, transmitir a corrida em rede e dar a ela a dimensão nacional e mundial merecida, mais a instalação grátis de uma antena no alto do prédio da TV Gazeta (localizada em um dos pontos mais altos da cidade e privilegiada por estar em plena Av. Paulista), para utilização compartilhada.
Nos primeiros dois ou três anos, foi tudo bem, mas logo a o Lobo tratou de jantar a Gazeta Chapeuzinho Vermelho. Mudou o horário da corrida para a parte da tarde, tirando todo o charme, tradição e misticismo dela. Depois, separou as mulheres fazendo-as correr sob sol escaldante e por último, foi diminuindo o investimento.
Dessa maneira rasteira e nada sutil, fomos roubados de um dos nossos maiores eventos. Por que? Elementar meu caro, ficar com a audiência no horário e o implícito poder de influenciar. Uma cruzada nascida junto com o golpe de 31 de março de 1964, fazer todo mundo acreditar que o país acontece nas margens da Bahia de Guanabara, enquanto um imbecil grita asneiras desmensuradas nos microfones globais, acompanhado de repórteres medíocres e suas interferências ridículas ou ignóbeis e shows de gosto duvidoso acontecendo na orla carioca. Nada contra a Bahia da Guanabara, um local lindo antes de ser devidamente poluído e infestado pela marginalidade e a prostituição. Só não consigo engulir essa insistência em querer perpetuar o lugar como uma espécie de maravilha do mundo ou o único mundo possível.
Minha vida está passando e com ela estão acabando com tudo que valia a pena, por aqui. Nosso Corinthians, o futebol, a boa igreja, o carnaval, a mulher que era de verdade, o circo e… o pão, é claro.
Ah! Meu São Sivestre!



#1 by hernan on January 1, 2010 - 10:25 pm
Sua análise foi precisa. É isso mesmo.