Corinthians eliminado da Libertadores 2010


Até pouco tempo atrás, o maior e mais disputado campeonato existente no Brasil era o Campeonato Paulista, com risco de ser tudo isso em nível global. Havia, pelo menos, uns sessenta times em condições de disputá-lo. Em São Paulo, como é sabido, há mais de quinhentos municípios e a maioria se esforçava em ajudar a manter, pelo menos, um bom time de futebol.

Não sei ao certo onde e quando começou severa campanha para desarticular esse campeonato. Alguém sacou que se todos os campeonatos regionais fossem desprestigiados, o paulista iria de roldão, também. Talvez a idéia fosse diminuir o paulista, enquanto se elevava o brasileiro. Mas isso só pode ser conversa para boi dormir. Não há e nunca houve ninguém tão nobre, no meio do futebol, capaz de perseguir tal conquista, a bem nacional. O fato é que o campeonato paulista era rico e gerava bom dinheiro, sem falar na magistral produção de bons jogadores, com a migração de outros muito bons que vinham de outros estados, inclusive. Quero dizer com isso que, provavelmente, visaram a grana, exclusivamente.

Certos imbecis necessários que militam a tal “crônica esportiva” passaram a fazer campanha contra os campeonatos regionais e, como água mole em pedra dura, aos poucos a idéia ganhou adeptos capazes de implementá-la. Tudo sob a tutela do senhor sogro do eterno presidente da CBF, claro. Soma-se a isso o fato de que o futebol paulista nunca teve dirigentes abnegados, capazes de preservar as conquistas das equipes do estado. A maioria era corrupta e trocou essa hegemonia por parcos pratos de lentilha. Fato que continua inalterado.

O que estou escrevendo não significa que só havia bom futebol em São Paulo. Nada disso, pois todos sabem que sempre houve bom futebol no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na maioria dos outros estados, embora em nível um pouco abaixo, a prática do esporte não era nada desprezível. A lista de grandes jogadores baianos, pernambucanos, paranaenses, etc. é bem extensa.

Destruído o bom campeonato paulista, não surgiu nada parecido. O Campeonato Brasileiro é caricatural. O nível de manipulação de resultados, acompanhado da subserviência dos participantes aos caprichos dos dirigentes da CBF passou a ser a tônica e o prejuízo ao futebol brasileiro é incalculável. Hoje, nossos principais jogadores são obrigados a deixar nosso país para jogar em todos os lugares do mundo. Se não me engano, são esses mesmos jogadores que tornaram apreciáveis (ou mais) muitos campeonatos mundo a fora.

Outro grande engodo que acompanhou o desastroso Campeonato Brasileiro foi a importância dada à Copa Libertadores da América. Não tínhamos noção disso até a chegada de Pelé aos nossos campos. Depois de vencer o Torneio Rio – São Paulo, disputado entre as cinco melhores equipes desses dois estados, o timinho da baixada santista, onde o corinthiano crioulo jogava, disputou e venceu essa Copa, pois não havia ninguém por aqui capaz de segurar o time liderado pelo rei. Isso aconteceu lá pelos idos de 1961/2.

Depois dessa conquista, foi a vez de vencer o campeão da Europa e passar a auto intitular-se Campeão do Mundo, na verdade, uma bobagem, pois não houvera, até então, nenhum campeonato mundial de futebol inter-clubes, promovido pela FIFA. Esse jogo era mais uma ação entre amigos, ou uma espécie de tira-teima para manter sob as vistas as distancias entre essas escolas de futebol.

Após a era Pelé, esse jogo entre os dois campeões, o da Libertadores da América e o da UEFA ganhou importância financeira com a TV e foi realizado em todos os anos seguintes. A principio em dois jogos (ida e volta) até que o Japão resolveu patrocinar o evento com a ajuda da Toyota. Tudo isso sob os olhares pouco interessados da FIFA, até que em 2000, a entidade máxima do futebol mundial resolveu entrar de verdade na história e organizou seu primeiro e verdadeiro campeonato mundial de futebol inter clubes. Você e eu sabemos que time é o primeiro verdadeiro campeão mundial de futebol.

A Taça Libertadores da América não traz qualquer benefício às equipes brasileiras participantes. Para os hermanos ela é fundamental, pois a presença das equipes brasileiras em seus campos é, praticamente, a única chance de ver dinheiro no caixa e seu futebol divulgado pelo mundo. Mesmo a possibilidade de disputar o campeonato mundial da FIFA não chega a ser grande coisa, pois trata-se de um torneio desvalorizado na opinião da maior parte do mundo. Parece que nós somos os que mais prestigiam essa disputa. Para os europeus o que interessa é ser campeão da UEFA. Alem disso, nos mesmos moldes do campeonato brasileiro, a Libertadores é disputada sob intensas manipulações, roubalheiras homéricas, agressões e até casos de racismo, sem falar na violência recorrente nos estádios por onde passa. A TV também lucra muito com essa copa.

Por causa da tal classificação para essa Copa pouco significativa, nosso time foi levado a não se empenhar no Campeonato Brasileiro de 2009, como se disputar a Libertadores 2010 (ano do nosso primeiro centenário) fosse razão suficiente para tanto. Com essa atitude, além de nosso time mal dirigido, todos nós corinthianos contribuímos para o acontecimento de um dos mais vergonhosos campeonatos brasileiros da história. O prejuízo financeiro só foi menor do que anterior porque, dessa vez não estávamos fazendo a Série B dar lucro. Nossa presença, embora sem interesse no título, diminuiu a conta do lado passivo.

Por tudo isso, o que consideramos como ganho, ou seja, a classificação para essa tolice que só interessa a los hermanos e as TVs, pois só eles ganham com essa porcaria, chamada Libertadores da América, é na verdade uma grande perda. Todo mundo sabe que time que disputa essa droga, vai mal no Brasileiro e, provavelmente, no Paulista, também. Sendo assim, nosso ano centenário já está comprometido. Se não ganharmos a Libertadores, estaremos mortos, outra vez. Vale lembrar que quem manda na Confederação Sul Americana não são os brasileiros. Vamos ter que ganhar e com a vinda de jogadores “jovens”, incompetentes e caros como Roberto Carlos, Iarlei, Tcheco, etc., com reservas piores, somado a um técnico ruim, da escola retranqueira gaucha, essa possibilidade é, cada vez, mais remota.

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