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A Gruta do Lou nos esportes – criatividade puxada no sossego
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jan
07
2010
Quantos dedos há em minha mão?
Que o atual técnico do Corinthians trabalha para um determinado empresário, prioritariamente e sob a conivência da diretoria atual, eu e os corinthianos de verdade estamos carecas de saber. Me surpreende a atitude desinteressada, mas dissimulada dessa gente em relação às disputas em curso, ou eles imaginam algo como serem elas irrelevantes em termos de marketing? Fato a ser apontado é o cara tentar nos ludibriar com sua atitude rasteira e pouco criativa com que imagina privelegiar os jogadores de seu sustentador maior. Ele manteve todos no elenco e mais alguns cooptados para pupilos do Leite. Contrataram vários jogadores, de certa fama, mas com prazo fora da validade. Qual o significado disso? O cara imagina que os considerados titulares passarão boa parte do ano no Departamento Médico e isso abrirá espaço para os jogadores de seu empresário atuarem nos jogos do time em todos os campeonatos, principalmente na disputa da irrelevante Taça Libertadores da América. Não faria maior diferença se os tais jogadores tivessem alguma qualidade, mas isso não poderia estar mais longe da realidade. Mesmo se passassem a vida toda jogando em nosso time e nem assim nenhum comprador de bom senso daria um tostão furado por eles. O tal empresário parece nutrir a crença de que basta trazer um “perna de pau” qualquer a preço de bananas, vestir nossa camisa nele e pronto, vendê-lo por milhões. A Torcida Organizada costumava contestar esses abutres nas gestões passadas, mas, estranhamente, resolveu ser conivente com essa. Corinthianos verdadeiros são abordados nos estádios com ameaças ou agressões quando tentam exercer seu direito de discordar da presença desses pangarés no time. Nós achávamos, acertadamente, que nosso time estava mal com a direção dos velhinhos metralhas, mas temo que tenha piorado muito, apesar do Ronaldo. Nós só trataremos de mudar essa camarilha quando coseguirmos ver quantos dedos esse senhor tem nas mãos, de fato.
jan
03
2010
A dança horrorosa dos técnicos
Esse tema está rondando minha mente perversa, há tempos. Tenho sido um crítico contumaz do trabalho do técnico Mano Menezes à frente do time corinthiano, em que pesem as conquistas de 2009. Não estou com a massa ignorante na questão Libertadores, ou seja, não ligo a mínima para esse torneio de baixa qualidade, prejuízo certo no bolso dos participantes brasileiros, em termos de bilheteria, mal organizado, manipulado, violento, enfim, uma disputa sem capacidade de agregar valor aos participantes brazucas. Nesse sentido, o campeonato brasileiro é muito mais importante, pois interessa a nós e aos europeus que lhe dão a devida atenção, de olho em nossas revelações, infelizmente. Deviamos fazê-los pagar caro par ver nossos jogadores jogando aqui. E nosso técnico resolveu andar na contramão da lógica em 2009, desistindo da disputa mais importante. Mas minha questão vai em outra direção. Na verdade, não é o Mano, em si. Provavelmente, ele seja uma boa pessoa, bom marido e pai, etc. , apesar de gaúcho. No Brasil, não há e nunca houve bons técnicos de futebol, apenas uns mais espertos. A grande maioria esmagadora dos profissionais de hoje e do passado é formada por leigos. Geralmente, ex-jogadores travestidos em técnicos. Isso, automaticamente, pré-supõe ser a experiência de campo como jogador o pré-requisito básico para exercer a função de técnico e nada poderia estar mais longe da verdade. As funções de técnico e jogador, embora complementares, são muito diferentes. Um jogador precisa dominar os fundamentos do esporte, conhecer as regras do jogo e ter noção mínima das funções de cada jogador de uma equipe, depois conhecer detalhadamente as atribuições da sua posição dentro do time. Feito isso, espera-se dele a noção geral do desenvolvimento do jogo. A maior parte dos jogadores brasileiros, hoje, embora sejam os melhores do mundo, não domina nem 50% dessas exigências, óbvio. No meu tempo, eles não jogariam nem no segundo quadro do meu saudoso União da Vila Santa Catarina. Um cara com a bola do Roberto Carlos seria aconselhado a optar pela profissão de gandula, se muito. Ao técnico, não se requer domínio dos fundamentos, apenas conhecimento deles. Os requisitos teóricos da função dizem respeito, às regras, técnicas e táticas do jogo e às capacidades gerenciais, como liderança, psicologia do esporte, administração e gestão esportiva, preparação física (com todas as suas matérias), metodologia do esporte, história e filosofia do futebol, sem falar na exigência de dominar, pelo menos a língua inglesa, como deixou claro o místico Joel Santana, além da nativa, coisa que a maioria é incapaz de fazer. Soma-se a tudo isso, o domínio das rotinas e agendas do esporte. Enfim, as funções de um técnico são amplamente diferentes das funções de um jogador. Claro que a experiência de campo como jogador contará a favor de um técnico, mas só ela não será suficiente para eleger alguém ao cargo. Sendo assim, seria necessário que os ex-jogadores interessados em avançar para a profissão de técnicos se submetessem a intensa preparação, a fim de lograrem as capacidades e competências necessárias à função. Coisa impensável, pois as baladas não lhes deixa tempo para mais nada, às vezes nem para jogar por seus times, razoavelmente. No Brasil, se olharmos toda a história do esporte por aqui, descobriremos que tivemos pouquíssimos técnicos com competência além do razoável. Atualmente, talvez não haja nenhum nessas condições, mesmo considerando os que estão trabalhando além de nossas mal policiadas fronteiras. Os gaúchos parecem dominar esse mercado, por razões desconhecidas, já que não são melhores do que os outros conterrâneos, em nada. A filosofia dominante é a de perder o mínimo possível e aguentar-se no emprego o máximo, garantido pela estatística de poucas derrotas. Isso explica, sem sombra de dúvida, a opção pelo jogo feio, defensivo, recheado de volantes brucutus e sem gols. Um deles, talvez o mais famoso, o senhor Luiz Felipe Scollari não suportou os reclames do próprio ego ao receber a alcunha de burro em terras d’ além mar (Portugal) e foi parar bem longe de lá. De cabeça, citaria, entre os tais que passaram por aqui, um tal de Bella Gutman, húngaro, que dirigiu o timinho do Morumbi, no final da década de cinquenta, era bem preparado e introduziu novos conceitos à profissão, mas sua marca maior foi levar o Benfica a vencer o campeonato europeu e vaticinar que o time, sem ele, nunca mais o faria. A profecia dura 47 anos. Depois dele, só sobra o técnico Rubens Minelli, com formação universitária (economia) estudou as competências e propostas de jogo e preparação do famoso técnico holandês Rinus Mitchels que montou o melhor time que vi jogar, a seleção holandesa da Copa de 1974. Os outros falados, como o turrão e incompetente Tele Santana, que afundou duas seleções brasileiras em Copas (82 e 86), Zagalo, incapaz de entender o significado de linha burra e de pronunciar a palavra estratégia, Luxemburgo, o maior cascateiro dos campos brasileiros e a partir daí, a coisa só piora. A maioria dos técnicos vencedores é formada por sortudos que estavam no lugar certo e na hora certa em que haviam jogadores habilidosos capazes de ganhar campeonatos. Nelsinho Batista que o diga. Tanto é que, a maioria deles, não consegue repetir os feitos quando se vêm em outra situação. Não que a coisa melhore quando olhamos para os outros países, que além de não terem bons técnicos, também não dispõem de jogadores de qualidade. Há o técnico holandês Guus Riddick, que gostaria de ver dirigindo nosso time, pelo menos em uma temporada, Fábio Capello e o atual técnico da seleção espanhola Vicente Del Bosque que inspira seu trabalho no jeito brasileiro de jogar, embora utilize a conhecida tática das duas linhas de quatro. Como diria o Sr. Manoel, dono da padaria da esquina, “quem não tem competência, não se estabeleça”, e isso serve para os senhores técnicos do nosso futebol profissional. Se logramos alguma coisa com todos os impostores que dirigiram nossas equipes profissionais, inclusive nossa seleção, caso do técnico atual, se tivéssemos gente competente em lugar deles, teríamos feito muito mais. Sou daqueles que acredita que nosso futebol deveria ser imbatível em qualquer circunstância ou categoria. Mas, na verdade, nem a fácil medalha de outo olímpico jamais conseguimos, nem no feminino que seria a maior baba. dez
31
2009
Roubaram a São Silvestre
Essa tarde, assisti um triste espetáculo televisionado pela toda poderosa Rede Globo de Televisão e narrado sofrivelmente merecidamente pelo locutor anti conrinthiano Cleber Machado. O evento leva o título de Corrida de São Silvestre. Entretanto, da tradicional Corrida de São Silvestre, sobrou só o nome. Se não me engano. A Corrida de São Silvestre era um acontecimento pra lá de esportivo, era cheia de charme e um luxo só. Acontecia no final de todo dia 31 de dezembro, iniciando certa de vinte minutos antes da meia-noite e só acabando no início do primeiro dia do ano seguinte, com os corredores desfilando pelas ruas de nossa São Paulo da garoa. Não havia, no mundo, nada parecido, muito menos com a importância e relevância de nossa inesquecível Corrida de São Silvestre. A festa de fim e inicio de ano acontecia sob as luzes da corrida. Enquanto nos abraçávamos comemorando a chegada do novo ano e o Adeus ano velho, a corrida ia chegando ao seu final. Então brindávamos o novo ano, enquanto os campeões recebiam os louros e os prêmios pela vitória. Ganhavam todos, corredores, campeões ou participantes, organizadores, público presente, telespectadores, etc. Naquele tempo só a TV Gazeta, uma das organizadoras o evento, transmitia. Emissora pobre e desprovida, tinha na São Silvestre seu maior acontecimento e consequente oportunidade de faturar algum para o ano. Mas veio a Rede Globo e ofereceu uma parceria, típica do Lobo para a Chapeuzinho Vermelho, transmitir a corrida em rede e dar a ela a dimensão nacional e mundial merecida, mais a instalação grátis de uma antena no alto do prédio da TV Gazeta (localizada em um dos pontos mais altos da cidade e privilegiada por estar em plena Av. Paulista), para utilização compartilhada. Nos primeiros dois ou três anos, foi tudo bem, mas logo a o Lobo tratou de jantar a Gazeta Chapeuzinho Vermelho. Mudou o horário da corrida para a parte da tarde, tirando todo o charme, tradição e misticismo dela. Depois, separou as mulheres fazendo-as correr sob sol escaldante e por último, foi diminuindo o investimento. Dessa maneira rasteira e nada sutil, fomos roubados de um dos nossos maiores eventos. Por que? Elementar meu caro, ficar com a audiência no horário e o implícito poder de influenciar. Uma cruzada nascida junto com o golpe de 31 de março de 1964, fazer todo mundo acreditar que o país acontece nas margens da Bahia de Guanabara, enquanto um imbecil grita asneiras desmensuradas nos microfones globais, acompanhado de repórteres medíocres e suas interferências ridículas ou ignóbeis e shows de gosto duvidoso acontecendo na orla carioca. Nada contra a Bahia da Guanabara, um local lindo antes de ser devidamente poluído e infestado pela marginalidade e a prostituição. Só não consigo engulir essa insistência em querer perpetuar o lugar como uma espécie de maravilha do mundo ou o único mundo possível. Minha vida está passando e com ela estão acabando com tudo que valia a pena, por aqui. Nosso Corinthians, o futebol, a boa igreja, o carnaval, a mulher que era de verdade, o circo e… o pão, é claro. Ah! Meu São Sivestre! dez
18
2009
Corinthians eliminado da Libertadores 2010
Até pouco tempo atrás, o maior e mais disputado campeonato existente no Brasil era o Campeonato Paulista, com risco de ser tudo isso em nível global. Havia, pelo menos, uns sessenta times em condições de disputá-lo. Em São Paulo, como é sabido, há mais de quinhentos municípios e a maioria se esforçava em ajudar a manter, pelo menos, um bom time de futebol. Não sei ao certo onde e quando começou severa campanha para desarticular esse campeonato. Alguém sacou que se todos os campeonatos regionais fossem desprestigiados, o paulista iria de roldão, também. Talvez a idéia fosse diminuir o paulista, enquanto se elevava o brasileiro. Mas isso só pode ser conversa para boi dormir. Não há e nunca houve ninguém tão nobre, no meio do futebol, capaz de perseguir tal conquista, a bem nacional. O fato é que o campeonato paulista era rico e gerava bom dinheiro, sem falar na magistral produção de bons jogadores, com a migração de outros muito bons que vinham de outros estados, inclusive. Quero dizer com isso que, provavelmente, visaram a grana, exclusivamente. Certos imbecis necessários que militam a tal “crônica esportiva” passaram a fazer campanha contra os campeonatos regionais e, como água mole em pedra dura, aos poucos a idéia ganhou adeptos capazes de implementá-la. Tudo sob a tutela do senhor sogro do eterno presidente da CBF, claro. Soma-se a isso o fato de que o futebol paulista nunca teve dirigentes abnegados, capazes de preservar as conquistas das equipes do estado. A maioria era corrupta e trocou essa hegemonia por parcos pratos de lentilha. Fato que continua inalterado. O que estou escrevendo não significa que só havia bom futebol em São Paulo. Nada disso, pois todos sabem que sempre houve bom futebol no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na maioria dos outros estados, embora em nível um pouco abaixo, a prática do esporte não era nada desprezível. A lista de grandes jogadores baianos, pernambucanos, paranaenses, etc. é bem extensa. Destruído o bom campeonato paulista, não surgiu nada parecido. O Campeonato Brasileiro é caricatural. O nível de manipulação de resultados, acompanhado da subserviência dos participantes aos caprichos dos dirigentes da CBF passou a ser a tônica e o prejuízo ao futebol brasileiro é incalculável. Hoje, nossos principais jogadores são obrigados a deixar nosso país para jogar em todos os lugares do mundo. Se não me engano, são esses mesmos jogadores que tornaram apreciáveis (ou mais) muitos campeonatos mundo a fora. Outro grande engodo que acompanhou o desastroso Campeonato Brasileiro foi a importância dada à Copa Libertadores da América. Não tínhamos noção disso até a chegada de Pelé aos nossos campos. Depois de vencer o Torneio Rio – São Paulo, disputado entre as cinco melhores equipes desses dois estados, o timinho da baixada santista, onde o corinthiano crioulo jogava, disputou e venceu essa Copa, pois não havia ninguém por aqui capaz de segurar o time liderado pelo rei. Isso aconteceu lá pelos idos de 1961/2. Depois dessa conquista, foi a vez de vencer o campeão da Europa e passar a auto intitular-se Campeão do Mundo, na verdade, uma bobagem, pois não houvera, até então, nenhum campeonato mundial de futebol inter-clubes, promovido pela FIFA. Esse jogo era mais uma ação entre amigos, ou uma espécie de tira-teima para manter sob as vistas as distancias entre essas escolas de futebol. Após a era Pelé, esse jogo entre os dois campeões, o da Libertadores da América e o da UEFA ganhou importância financeira com a TV e foi realizado em todos os anos seguintes. A principio em dois jogos (ida e volta) até que o Japão resolveu patrocinar o evento com a ajuda da Toyota. Tudo isso sob os olhares pouco interessados da FIFA, até que em 2000, a entidade máxima do futebol mundial resolveu entrar de verdade na história e organizou seu primeiro e verdadeiro campeonato mundial de futebol inter clubes. Você e eu sabemos que time é o primeiro verdadeiro campeão mundial de futebol. A Taça Libertadores da América não traz qualquer benefício às equipes brasileiras participantes. Para os hermanos ela é fundamental, pois a presença das equipes brasileiras em seus campos é, praticamente, a única chance de ver dinheiro no caixa e seu futebol divulgado pelo mundo. Mesmo a possibilidade de disputar o campeonato mundial da FIFA não chega a ser grande coisa, pois trata-se de um torneio desvalorizado na opinião da maior parte do mundo. Parece que nós somos os que mais prestigiam essa disputa. Para os europeus o que interessa é ser campeão da UEFA. Alem disso, nos mesmos moldes do campeonato brasileiro, a Libertadores é disputada sob intensas manipulações, roubalheiras homéricas, agressões e até casos de racismo, sem falar na violência recorrente nos estádios por onde passa. A TV também lucra muito com essa copa. Por causa da tal classificação para essa Copa pouco significativa, nosso time foi levado a não se empenhar no Campeonato Brasileiro de 2009, como se disputar a Libertadores 2010 (ano do nosso primeiro centenário) fosse razão suficiente para tanto. Com essa atitude, além de nosso time mal dirigido, todos nós corinthianos contribuímos para o acontecimento de um dos mais vergonhosos campeonatos brasileiros da história. O prejuízo financeiro só foi menor do que anterior porque, dessa vez não estávamos fazendo a Série B dar lucro. Nossa presença, embora sem interesse no título, diminuiu a conta do lado passivo. Por tudo isso, o que consideramos como ganho, ou seja, a classificação para essa tolice que só interessa a los hermanos e as TVs, pois só eles ganham com essa porcaria, chamada Libertadores da América, é na verdade uma grande perda. Todo mundo sabe que time que disputa essa droga, vai mal no Brasileiro e, provavelmente, no Paulista, também. Sendo assim, nosso ano centenário já está comprometido. Se não ganharmos a Libertadores, estaremos mortos, outra vez. Vale lembrar que quem manda na Confederação Sul Americana não são os brasileiros. Vamos ter que ganhar e com a vinda de jogadores “jovens”, incompetentes e caros como Roberto Carlos, Iarlei, Tcheco, etc., com reservas piores, somado a um técnico ruim, da escola retranqueira gaucha, essa possibilidade é, cada vez, mais remota. Meu! Tudo bem? Houve um homem cujo nome era George Miller, durante a maior parte de sua vida sustentou milhares de órfãos em diversos orfanatos, sem solicitar um centavo jamais. Ele não era abastado, apenas acreditou que Deus providenciaria o necessário, já que a causa era Dele. No dia em que meu filho nasceu e, depois de uma transferência de hospital a brasileira, onde minha esposa ficou internada na maternidade e eu segui com o bebe e uma auxiliar de enfermagem para outro hospital de ambulância, os médicos diagnosticaram uma gravíssima cardiopatia devido a uma má formação congênita, com a ajuda de uma máquina de ecocardiograma. Uma junta médica reuniu-se em uma sala e eu fiquei do lado de fora aguardando o veredito. Em minhas mãos, minha Bíblia e um livro de Emmet Fox. Nunca fui dado a ações místicas. Tirando minha mania de destruir despachos macumbeiros e uma ou outra mensagem profética, era bastante cético. Mas naquele lugar, sem qualquer alternativa, cheio de dúvidas e muito medo, não resisti ao impulso de abrir minha bíblia ao acaso e ler o primeiro texto que procurasse saltar da página. Era a situação em que uma mulher caminhava no meio da multidão que seguia Jesus e, com muita luta, aproximou-se do Mestre e tocou-lhe no ombro, rapidamente. Jesus parou e perguntou quem o tocara. Um de seus discípulos arrazoou: Senhor, uma multidão o cerca e ainda pergunta quem o tocou? Sua resposta foi, no mínimo, surpreendente: Alguém tocou-me, pois senti sair virtude de mim. Então a mulher apresentou-se e ele lhe disse: A tua fé de curou. Ela tinha um problema de saúde que a fez sangrar por doze anos seguidos. Ficou totalmente curada, naquele instante mágico. Fechei minha bíblia e senti virtude correr por todo meu corpo. Logo depois, o médico chefe saiu da sala e comunicou que meu filho ficaria em observação na UTI. Alguns dos médicos presentes preferiam operá-lo imediatamente, mas não prevaleceram. Desde então, todas as providências foram aparecendo nos momentos certos. Algumas vezes, nossa surpresa deu-se por não conseguirmos o que esperávamos e suspeitamos ser essa a melhor forma de nosso filho ser ajudado naqueles momentos. Então, tentava não me deixar levar pelo medo e manter o foco em minha crença, enquanto procurava desesperado por minha fé. Com o Projeto Coração Valente não poderá ser diferente. Ele não nos pertence. Creio ser uma idéia de Deus. Mesmo sendo época de Natal e esse espírito de solidariedade e fraternidade voando por todos os lados, procurarei me manter crendo, buscando a fé e cultivando meu grãozinho somente. Afinal, essa causa não me pertence. Feliz Natal para você e um grande e poderoso abraço, do tipo que chega a tirar o fôlego. Lou Mello OPS: Publicado originalmente no blog do Projeto Coração Valente; Dias desses, durante entrevista coletiva, o Mano deu mais um fora e disse que agora iriam sentar para planejar 2010. Raios, para que serviu não participar do Campeonato Brasileiro. Se fosse uma opção para a preparação de uma equipe visando os campeonatos (Paulista, Libertadores e Brasileiro) do próximo ano, embora discorde, seria um argumento, pelo menos. O zagueiro Willian, que passou o segundo semestre todo descansando, foi ao Programa Cartão Verde ( 26/11/09) e deixou escapar que a expectativa geral desse ano era uma vaga na Libertadores 2010 e a negociação de jogadores. Parece que só conseguiram a metade do propósito, já que as pífias negociações realizadas só serviram para enfraquecer o time. Embora a saída do Douglas, a mais expressiva, deu-se porque o Mano não gostava dele, pois atrapalhava as pretensões do grande armador Elias. O fato é, não fizeram qualquer preparação visando 2010, não contrataram ninguém com capacidade de ajudar a conseguir alguma coisa, só mais alguns encostos. O time não tem laterais, goleiro, armadores e só tem um atacante e meio. Por enquanto. Outras equipes já começaram a se reforçar, mesmo sem os compromissos que o Corinthians tem pela frente. Ah! Lembrei, eles vão doar a renda do próximo jogo para as escolas de samba que citarem o clube em seus enredos, no próximo carnaval. Então tá! Isso é o Planejamento 2010 do Corinthians.
Ontem o lateral Escudeiro ironizou a vinda do lateral reserva de luxo do Fenerbahçe para o Timão, dizendo que ficaremos com dois fenômenos, se essa desgraça nos sobrevier. Se acontecer, de fato, a contratação do ex-lateral esquerdo do Porco será um dos maiores equívocos de todos os tempos. Primeiro porque o cara é um fenômeno mesmo, mas ao contrário de Ronaldo, é um fenômeno ao avesso, pois conseguiu enganar brasileiros, italianos e espanhóis durante muito tempo. Só não conseguiu enganar os turcos, afinal eles não dão ponto sem nó. Agora querem colocar esse enganador em nosso time. Talvez seja bom lembrar a participação dele em dois episódios envolvendo a França. Durante a Copa do mundo na França, enquanto o fenômeno Ronaldo foi envenenado para não jogar contra a dona da casa na final, seu companheiro de quarto, sim o próprio, não bebeu a água batizada e, sabe-se lá quanto tempo demorou em solicitar socorro enquanto o outro fenômeno agonizava, salvo engano. Na última Copa, foi o próprio fenômeno da enganação e traições quem deixou o espertíssimo atacante Thierry Henry livre para marcar o gol que nos tirou da Copa. Segundo, sua competência futebolística é, no mínimo, questionável. Jogador baixo, sem domínio de bola, só chuta forte de bico, ninguém consegue colocar a cabeça na bola em seus cruzamentos, não sabe ir à linha de fundo e, pasmem, é fraco na marcação, mais fraco que o outro que saiu. Sem falar em seus declarados 37 anos de idade. Tudo isso irá nos custar a bagatela de duzentos mil por mês. Será que não há no mercado um lateral esquerdo razoável, na casa de 25 anos e disposto a assinar contrato por uns meros cinqüenta mil mensais. Não acredito que haja, no Brasil, lateral esquerdo ganhando essa grana. Depois da inexplicável participação time no Campeonato Brasileiro Série A, após tanto sofrimento para voltar a ele, todos os business de Mano, Leite, Gobby e Andres, agora eles querem nos brindar com essa porcaria caríssima, de fato, um fenômeno. Se você não lembra, assista o vídeo do lateral arruma meias para disfarçar:
Basicamente, escrevo para os amigos e amigas corinthianos, nesse espaço. Essa foi a forma que encontrei de compartilhar minhas reflexões e preocupações em relação ao time do coração. Nunca fui um torcedor militante, em sentido algum, não sou sócio do clube, embora meu pai fosse um sócio remido, foi-se o tempo que aquilo chegou a ser um clube freqüentável por pessoas de bem, nunca fiz parte de nenhuma torcida organizada, mesmo porque não considero essa opção sensata e deixei de freqüentar os estádios há muito tempo, pois ainda consigo preservar algum amor próprio. Acompanho o time pela TV e pela Internet, infelizmente. Ontem, com o televisionamento direto, assisti aquela coisa horrorosa proporcionada pelo senhor Mano Menezes e o time que ele “organizou” para nos representar contra o timeco de Santa Catarina. Espero que os irmão catarinenses me entendam, mas sou do tempo em que o Corinthians pegava um timinho desses e sapecava-lhe uma sonora goleada, enquanto chupava cana e assobiava. Então, assistir meu time perdendo feio para uma equipe dirigida por arqui-inimigo e vestida com aquela roupa horrível, totalmente desfigurada como time de futebol, seja em termos de bola ou em termos de vestimenta, me deixa extremamente frustrado. Sabe, esse Mano é como salitre em comida de presidiário, ou seja, brochante. Enquanto estamos sempre esperando um time forte, jogando com a força máxima disponível, para frente e, sobretudo, com a nossa proverbial raça, o cara em cada jogo me aparece com uma formação completamente diferente, como se entrosamento não fizesse parte do negócio. Quem já jogou bola, pelo menos umas poucas vezes na vida, sabe bem a diferença brutal entre jogar ao lado de gente conhecida e jogar com ilustres desconhecidos. No jogo de ontem, era visível a completa falta de entrosamento entre o grupo que foi a campo, sobretudo na defesa e meio de campo, onde os caras não se entendiam, de forma alguma. No ataque, o cara fez o impensável, deslocou o único atacante capaz de causar alguma preocupação à fraquíssima defesa adversária, para executar as cobranças de bolas paradas, escanteios inclusive, tirando-nos a única possibilidade de ver alguma coisa em meio daquela coisa horrorosa. Afinal o Ronaldo é muito limitado e não é capaz de cruzar e cabecear ao mesmo tempo, apesar de ser o fenômeno. Como assistir o jogo tornou-se um exercício difícil, meus pensamentos perderam-se em outras direções, enquanto Bill, Boquita, Dentinho e Cia. maltratavam a gorducha. Comecei a me perguntar quanto nosso time estaria deixando de arrecadar com essa história de participar do Campeonato Brasileiro sem competir. Deve ter sido algo muito significativo, na casa dos milhões. Confesso que nunca fui capaz de imaginar essa possibilidade e não consigo imaginar como esses senhores responsáveis pela condução das nossas coisas administrativas e esportivas conseguiram chegar a essa inusitada decisão. Engraçado que desde a tomada do poder, os atuais dirigentes queixam-se de falta de recursos e, paradoxalmente, abandonam a melhor e mais eficaz forma de obter esses meios, se não única. Algumas pessoas aparecem por aqui, frequentemente, com acusações, até com agressividade desproporcional, infelizes com o fato de não concordarmos com essa forma de conduzir nosso time. É simples, queremos um time forte, cheia de raça, disputando os campeonatos e logrando vencer o maior número possível deles. Pouco nos interessa o tal futebol business que eles adotaram. Aliás, adoramos ver jogadores competentes vestindo nossa gloriosa camisa (não essa coisa grotesca roxa, claro) e detestamos vê-los vendidos para equipes risíveis como aquela da Turquia ou mediocridades mexicanas e muito menos para o futebol oportunista e incompetente do velho mundo (falo de bola), que sobrevive às custas de nossa mão de obra competente. A conta nós pagaremos, como sempre fizemos, pelas vias mais obvias, desde que não haja sanguessugas desviando recursos no seio do PSJ. Desculpe a insistência, mas fui obrigado a surrupiar o texto do Daniel outra vez. Entenda por que: Futebol e amorBy Daniel Piza Não vou entrar nessa chatíssima discussão sobre os erros de arbitragem de Carlos Eugênio Símon, até porque já comentei no blog que não há a menor possibilidade de alguém alegar que houve falta em Obina; não é nem preciso rever o lance nas câmeras de TV para estar seguro de que não houve nada. Quanto aos que dizem que não houve o escanteio antes, aí sim se poderia alegar alguma confusão visual. A anulação do gol, não: ou foi por covardia ou por má fé – não há outra hipótese. Mas as declarações exacerbadas de Luiz Gonzaga Belluzzo levantam um tema relacionado a esse: por que o futebol precisa virar uma vazão da irracionalidade humana, tantas vezes em seu pior aspecto? Nando Reis se queixou aqui, recentemente, de que eu teria escrito que “comparar futebol e amor é ridículo”. Não, caro Nando, o que escrevi foi que “dizer que o amor por um clube é maior que o amor por uma mulher” é ridículo. Essa adoração fanática, com perdão do pleonasmo, tira o que para mim é a graça do futebol, sua inutilidade inspiradora, sua diversão simbólica. Perder o humor por vários dias porque “seu” time (olha o possessivo!) perdeu um jogo é dar uma importância moral ao futebol que ele não precisa ter. Ver um intelectual sério, esse espécime em extinção no Brasil, falar como se fosse um Eurico Miranda não pode fazer bem algum. Torcer por um clube pode ser para sempre, mas 90 minutos com a mulher amada é que podem mudar a vida. Na revista Serrote que já está nas bancas, por sinal, temos outros dois intelectuais falando sobre esporte. O primeiro é o pensador francês Roland Barthes, num texto de muitos lugares comuns, mas que diz que esporte é mais comunicação que competição, é mais expressão que destruição: o espetáculo reduz a “nocividade” do combate e é feito para “relatar o contrato humano”. O segundo é o escritor argentino Júlio Cortázar, que em entrevista falou de seu gosto por boxe como “um enfrentamento de duas técnicas, de dois estilos, a habilidade de vencer sendo às vezes do mais fraco”. Por isso mesmo, disse não se interessar por futebol e por esportes coletivos. Bem, o barato do futebol é o modo como ele é coletivo e individual ao mesmo tempo. Ninguém vence um jogo sozinho, mas todo espetáculo tem seus protagonistas e/ou vilões. Tire Ronaldo da partida contra o Santo André e tudo não teria passado de uma tarde anódina no estádio ou diante da TV. Com seu golaço de esquerda no ângulo, depois de afastar a marcação com uma pedalada, e com seus passes de efeito para colegas que erraram (Defederico) ou acertaram (Dentinho), nocauteou o adversário com a técnica de um Muhammad Ali. E o que dizer do gol olímpico de Petkovic contra o Atlético-MG? A bola não fez a trajetória habitual de despencar no meio ou no outro extremo da trave: ela caiu como um gancho de Sugar Ray Robinson no alto do mesmo canto! Num campeonato marcado por atuações grosseiras tanto de árbitros como de equipes, esses momentos deveriam ser entesourados na memória afetiva. Não são apenas os desfalques que explicam o “tilt” do Palmeiras – que havia perdido quatro jogos em 28 e agora perdeu outros quatro em sete –, mas sobretudo a falta de jogadores que realmente fazem a diferença no momento em que ela deve ser feita. Os amantes (não possessivos) do futebol torcem agora para que o Flamengo, único a se destacar no returno, seja campeão, mas talvez seja tarde. Como no amor, se me permitem a comparação, no futebol nem sempre as coisas acontecem na melhor hora. Mesmo assim, é sempre bom que aconteçam.
nov
05
2009
‘Hoje é dia de ver o Gordo’Depois de anunciada a contratação de Ronaldo, no final do ano passado, estimei que se ele fizesse “uns 30 e poucos jogos e uns 20 e poucos gols” a temporada seria excelente. Afinal, desde 2005 ele não tinha uma temporada cheia, devido às lesões, e já há um bom tempo não é o atacante arisco, ágil e desconhecido que no Cruzeiro de 1993 fazia quase um gol por partida. Bem, estamos a cinco rodadas do final do “ano letivo” e, depois da dobradinha servida no domingo, ele está com 21 gols em 34 partidas. Mais importante que os 21 gols, claro, foram os momentos e as maneiras em que muitos deles foram feitos – e a conquista de dois títulos inéditos em apenas quatro meses. Eu só não imaginava que Ronaldo não faria mais jogos por uma contusão na mão, em vez de joelhos e músculos. Mas eu imaginava que novamente calaria a boca dos que só sabem falar de seu peso e de escândalos pessoais e culpá-lo pelas derrotas da seleção em 1998 e 2006. Claro, estes assuntos vendem mais revistas, pelo menos o tipo de revista que vive de insuflar o falso moralismo da classe média brasileira. Tão grave quanto isso, porém, foi o que se ouviu insistentemente daqueles que Nelson Rodrigues chamava ironicamente de “entendidos”: a contratação de Ronaldo pelo Corinthians era apenas uma jogada de marketing, com chances escassas de dar certo dentro de campo, pois se trata de um “ex-jogador em atividade”… E sugeriram a ele que se aposentasse ou que fosse jogar na França ou até na Arábia, pois não aguentaria a cobrança da imensa e intensa torcida corinthiana. Como disse Vampeta outro dia num programa de TV, depois de ouvir pela milésima vez a frase “se Ronaldo não estivesse tão gordo”, todo mundo diz isso e ninguém vê os outros jogadores fazendo mais do que ele em campo… Contra o Palmeiras, no forno de Presidente Prudente, Ronaldo chutou oito vezes a gol, fez um de pênalti e o outro num jogo de corpo diante do goleiro, deu “rolinho” em Diego Souza e voltou para distribuir jogo e abrir espaço. Ele faz parado o que os outros não fazem correndo, e nos momentos que escolhe para correr faz o que os outros não fazem parados… A maior contribuição de seu retorno foi mostrar que seu futebol sempre foi muito mais que velocidade e objetividade. Para quem não enxerga direito, seus arranques e gols ofuscavam seus amplos dotes técnicos. Aos 33 anos, Ronaldo caminha para um fecho digníssimo de sua dramática mas vitoriosa carreira. Voltou e ganhou o Paulista, a Copa do Brasil e a adoração da torcida; ganhou, ainda, a admiração das outras torcidas, inclusive de muita gente que não queria saber de futebol. “Hoje é dia de ver o Gordo”, cansei de ouvir ao longo deste ano, e na semana passada na Bahia uma parte da multidão estava lá exclusivamente para vê-lo. E isso porque ele é celebridade? Não. Porque o torcedor, mesmo neófito, sabe que com ele em campo alguma coisa sempre pode acontecer – que mesmo nas partidas em que pouco aparece há sempre dois ou três lances de distinção. O tal carisma de Ronaldo vem, antes e depois de tudo, do que ele faz com a bola. No próximo ano, terá um desafio enorme, o de comandar o Corinthians na Libertadores, principal título que falta ao centenário clube. Sinceramente, não ponho muita fé, pois a questão foi transformada em ponto de honra. Mas, mesmo que não conquiste nem esse nem outro título – e que não realize o sonho de voltar à seleção, afinal nada mais tem a provar –, basta que Ronaldo tenha mais uma boa temporada, com “uns 30 e poucos jogos e uns 20 e poucos gols”, que os deuses do ludopédio estarão felizes. Post clonado sem qualquer autorização prévia do excelente articulista do jornal O Estado de São Paulo, Daniel Piza. |